2013-07-12

O Jornal Alto Minho publicou recentemente uma reportagem sobre os arraiais que se realizam em todo o Mundo, que carinhosamente denominam de 'Noite de Santoinho'.

Santoinho toca assim as diversas comunidades de portugueses espalhados pelo mundo, que mantêm viva a cultura minhota, desde o Brasil ao Canadá, Estados Unidos, França, etc.

Há muitos anos que a festa do arraial de Santoinho deixou de se confinar apenas ao seu espaço em Darque. O espírito da romaria e a alegria da festa que todos os anos contagia milhares de pessoas foi já também transportado além fronteiras pelos emigrantes portugueses para os diversos cantos do mundo. O espaço do Arraial de Santoinho recebe, todos os anos, para além dos milhares de portugueses, muitos turistas de vários países, nomeadamente de Espanha, França, Alemanha ou Inglaterra, entre outros. No entanto, muitos outros, de outros países, também participam na festa e não precisam de visitar Portugal, mais precisamente Viana do Castelo, para conhecerem o espírito da romaria minhota. Várias comunidades de portugueses espalhados pelo mundo encarregaram-se de levar o a essência do arraial para os países que os acolheram e as festas minhotas têm-se pautado pelo sucesso. No Canadá, mais precisamente em Bradford, a Festa do Santoinho anima a comunidade emigrante, e não só. À festa animada pelo Rancho Folclórico de Bradford, não faltam os tradicionais petiscos, nomeadamente caldo verde, frango churrasco, sardinhas, arroz, batata e salada. A Festa do Santoinho fica ainda mais animada com um concurso de pisar as uvas.
Em Toronto, a Associação Cultural do Minho também promove a sua noite de Santoinho. Para ajudar à festa do maior arraial minhoto em Toronto, é disponibilizada uma ementa tradicional que também incluiu sardinhas, caldo verde, bifanas, pão de Minho e nem falta o famoso champarreão. Ao repto respondem milhares de pessoas que não perdem a oportunidade de se deliciar com comida tradicional. A festa é animada por vários grupos folclóricos, nomeadamente o da Associação Cultural do Minho em Toronto, entre outros, grupos de concertinas e outros convidados. Na edição da festa do ano passado até houve o sorteio de uma viagem a Portugal.

Arraial todos os meses no Rio de Janeiro

Ao Brasil, a réplica do arraial festivo da Quinta de Santoinho chegou pelas mãos de Agostinho dos Santos, na altura vice-presidente da Casa do Minho, que gostou do que viu numa visita a Viana do Castelo. O dia 14 de Junho de 1979 marcou o início deste arraial no Rio de Janeiro. O rancho Folclórico Maria da Fonte encenou a desfolhada, a malhada, a espadelada e a vindima e à festa também não faltou a sardinha assada pão de milho, caldo verde e vinho.
O sucesso foi muito e e a Casa do Minho viu-se "obrigada" a realizar o arraial mensalmente, o que acontece até aos dias de hoje, tendo a organização introduzido algumas novidades na festa. O público pode levar de recordação para casa a caneca em que bebe o vinho e não faltam também os doces portugueses, chouriços, salpicões, presunto e bolinhos de bacalhau ou bacalhau assado. "o Arraial Minhoto Quinta de Santoinho o ponto de referência no calendário turístico do Rio de Janeiro por seu ambiente familiar. É agradável ver-se famílias completas, avós, pais, filhos, netos e bisnetos, muitos no carrinho ou no colo, confraternizando alegremente", salienta a Casa do Minho.

O "ar de arraial nortenho"

Ainda no passado mês de Abril, Niterói, Brasil, viveu mais uma edição da Festa Quinta de Santoinho. O arraial minhoto contou com a actuação do conjunto Amigos do Alto Minho e a apresentação do Rancho Folclórico Luíz Vaz de Camões. Para completar a festa não faltou o cardápio variado, com arroz minhoto, sardinhas assadas na brasa, churrasco, batatas cozidas e diversas saladas e o vinho pôde ser tirado na hora do pipo, bem à maneira alto-minhota. Outras festas inspiradas no arraio de Santoinho são organizadas por terras de Vera Cruz, nomeadamente na Sociedade União Portuguesa de Santos. Já em Rhode Island, Estados Unidos da América, a festa do Arraial de Santoinho chega através do Clube Juventude Lusitana. O típico arraial minhoto é revivido com concertinas e folclore e na ementa típica não faltam os carapaus fritos para, de acordo com a organização, "dar um ar de arraial nortenho", como explicou António Tomás, do Rancho de Danças e Cantares do Clube Juventude Lusitana.

Do Minho para o Mundo

Valdemar Cunha, presidente do Conselho de Administração do Grupo AVIC, explicou que as réplicas do arraial minhoto no estrangeiro acontecem há muitos anos e alguns elementos da Quinta de Santoinho já participaram mesmo em algumas dessas festas. "As pessoas fazem estas festas com muito carinho e para nós é uma homenagem que fazem ao Santoinho e é um orgulho que o espírito do nosso arraial seja revivido nestas comunidades", salientou, frisando que o seu progenitor e mentor do arraial de Santoinho, António Cunha, "ficava todo contente quando sabia que isso acontecia". "Os emigrantes acabam por ver no Santoinho um símbolo da ligação às tradições do Minho", declarou. E quando visitam a sua terra Natal, os emigrantes fazem questão de contar a sua experiência aos responsáveis do arraial genuíno. "Todos os anos vêm pessoas destas casas do Minho ao Santoinho e transmitem-nos com muito carinho aquilo que se vive nas festas deles", contou. E na visita ao espaço original acabam sempre por levar ideias para melhorar a festa nas comunidades a que pertencem. "Porque as próprias pessoas que fazem estas festas noutros países dizem que Santoinho só há um, mas tentam recria-lo o máximo possível, mantendo a cultura e as tradições", sustentou. Assim, e tendo como referência o Santoinho, o arraial serve também para mostrar às gerações mais novas algumas das tradições de Portugal, nomeadamente do Alto Minho. "E os mais novos até levam amigos do país que os acolheu e que ficam a conhecer melhor as nossas tradições", referiu, notando que a adesão de milhares de pessoas às diversas festas a que o Santoinho empresta o nome nos vários países é também "uma demonstração de alegria e apego às tradições e cultura alto-minhotas". "As pessoas que vivem fora do país acabam por sentir mais saudades da sua herança cultural e carregam com mais força esse apego à terra. Como o Santoinho é tão completo em termos de manifestações culturais eu vejo este fenómeno como uma necessidade de reviver essas tradições", explicou, frisando que que vai a primeira vez quer sempre repetir a experiência. "Porque note-se que embora o Santoinho mantenha praticamente o mesmo programa desde há 41 anos, as pessoas voltam porque a festa essa e a forma como cada um a vive é diferente", salientou.
Para além dos emigrantes que todos os anos são presença assídua no Arraial de Santoinho, também alguns grupos folclóricos de cariz minhoto já chegaram a actuar no espaço do arraial em Darque. "No fundo, tratam-se de pequenos intercâmbios culturais", rematou Valdemar Cunha.

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